Fonte: https://pt.picmix.com/pic/2000s-Internet-Cybercore-Dog-12005514
Ainda estou na empolgação de ter criado o blog e, por isso, sinto vontade de escrever no momento. Na verdade, só sinto essa vontade muito separada, sem necessariamente se articular com aquilo que eu desejo escrever. Efetivamente, o que eu gostaria de estar fazendo é estudar, mas me sinto assolado por todas as demandas fora do compromisso de estudo dos concursos que quero construir.
A primeira delas é a universidade: devo acabar meu TCC, finalizar o relatório de pesquisa e fazer um bom trabalho no estágio, pois os meus pacientes não podem ser lesados por qualquer descompromisso meu. Entretanto, tudo isso aparece parar mim como atividades altamente extenuantes, sem ordem e nexo. Posso assegurar que tudo isso não se assemelha a um conjunto articulado de atividades, mas parecem mais um bombardeio, uma pressão geral, como coisas que espinham o corpo, que na verdade quebram a ordem que eu gostaria de construir.
Afirmo que há a diminuição de intervalo temporal porque, devido à pandemia, a minha universidade desrregulou o calendário acadêmico, necessitando cumprir os períodos em tempos mais curtos para que acompanhe o calendário gregoriano que nos rege. Logo, o que deveria ser feito em 6 meses está sendo feito em 3. A celeridade de tudo que está sendo imposta ao ritmo acadêmico não é tão distante daquela que a internet nos convida sem parar para participarmos.
Tenho também a minha própria "culpa no cartório", pois tenho feito as coisas serem grandiosas demais, querido que elas sejam perfeitas demais, ou até mesmo desejado grandes coisas a partir daquilo que só pode ser pequeno e singelo. É, também, pressa minha entre as tantas pressas impostas ao mundo, não sou menos partícipe do que essas instituições que me rodeiam, esses grandes agentes...
Criando o blog, procurei imagens de internet e tecnologia mais retrô. Inicialmente, procurei imagens do Windows XP, que é mais quadrado, tem aquelas barras de carregamento com linhas segmentadas, quadradinhos azuis, até mesmo a linha superior das janelas tinha aquele cinza característico e uma disposição ao reto, à exceção de quando o aplicativo tinha a parte superior azul, com bordas arredondadas. Entretanto, o que mais me marcou nessa busca foi quando procurei o Windows 7 e seu Wallpaper padrão: na verdade, fui uma criança Windows 7, telas brilhosas, não tanto a certa opacidade presente no XP, transparência nos menus, o ícone do Windows presente numa bolha no canto inferior esquerdo... quando eu vi isso, posso afirmar, me senti devidamente integrado:
Acredito que essa seja esses sejam meus maiores obstáculos: o todo e a parte. O completo, o acabado, o cumprido. Por desejá-lo, não desejo. Desejar é parcial, é fragmentado, é parte. O que é parte capta o desejo facilmente, remete mais facilmente a algo nosso, porque, quando é todo, já está remetendo a algo outro nessa própria totalidade, que é mais difícil de enxergar onde o nosso próprio desejo pode participar. A internet atual capta a parte, capta o caráter fragmentário do desejo, a desintegração em que ele se fundamenta e propõe justamente conteúdos não integrados, díspares um a um, capazes de serem investidos parcialmente por nosso interesse sem o esforço de vê-los em um todo. Um texto, uma matéria do concurso, um livro que lemos, convoca-nos a um trabalho diferente, pois conclama a uma atividade criativa de ver, na inteireza daquilo que nos deparamos, um espaço onde possamos nos integrar só através de um trabalho, que envolve remoções e encaixes, envolve a fragmentação de outro modo: fragmentar como uma atividade, como um exercício que nos permite ver no que era inteiro as suas ligações e, vendo-as, permitir a nós mesmos rearticulá-las.
Acredito que é isso. Gostaria de ir à academia hoje também. Sinto que o blog, assim como ver TV, pode ser uma atividade que me regula, que ainda deixa um mínimo espaço para mim, espaço que permite que eu reorganize as coisas: não de um modo bom ou ruim, mas ao meu modo. Penso que isso é precioso. Também, amo muito minha namorada.




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